O Brasil no Terceiro Governo Lula
- José Maria Dias Pereira

- há 4 dias
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O ano de 2025 consolidou uma virada importante para a economia brasileira. O desemprego recuou para 5,2%, um dos menores índices das últimas décadas, refletindo a retomada do mercado de trabalho e a confiança dos investidores. Paralelamente, a inflação medida pelo IPCA caiu para 4,2%, praticamente dentro da meta estabelecida pelo Banco Central. Por último, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer próximo a 2,5%, uma taxa significativa considerando o elevado crescimento de 2024 (3,4%) e as dificuldades de exportação resultantes do “tarifaço” de Trump.
Esses números sinalizam para uma redução da taxa básica de juros (SELIC) nos próximos meses, hoje em 15% ao ano. O mercado financeiro tem essa expectativa por três motivos. Primeiro, há uma pressão do presidente Donald Trump para uma queda da taxa de juros norte-americana, inclusive numa tentativa recente de demissão do presidente do Banco Central (o Federal Reserve) daquele país (que é independente do poder Executivo). Segundo, porque a taxa real de juros (descontando a inflação) está muito alta. Terceiro, uma provável queda nos juros norte-americanos abre espaço para um movimento na mesma direção no Brasil, aliviando o peso o peso da dívida no Orçamento da União.
Vale destacar que o peso da dívida pública total (incluindo estados, municípios e estatais) hoje representa cerca de 93% do PIB, que é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país em determinado período (sem incluir juros). Esse fato significa uma espécie de “freio de arrumação” nas contas públicas que precisa ajustar-se baixando os juros e cortando despesas. Por esse motivo, a queda da inflação e do desemprego que, em tese abre espaço para políticas monetárias mais brandas, não serão capazes de impulsionar o crescimento econômico além dos 2,5%
Outro dado que reforça o dinamismo do país é o ingresso de 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025 (sem contar os imigrantes latino-americanos). Esse fluxo não apenas fortalece o setor de serviços, mas também projeta o Brasil como destino global, valorizando sua diversidade cultural e natural.
Diplomacia: O Acordo Mercosul-União Europeia
No campo internacional, o destaque foi a formalização do Acordo Mercosul-União Europeia, concluído em 17 de janeiro de 2025, em Assunção, Paraguai, após 25 anos de negociações. Curiosamente, o presidente Lula optou por não comparecer à cerimônia oficial, preferindo se reunir a sós, no Rio de Janeiro, com a presidente do bloco europeu. A estratégia foi clara: atrair os refletores para si e para o Brasil, evitando que o protagonismo recaísse sobre os presidentes da Argentina e do Uruguai, ambos de direita. Este gesto reforça a habilidade política de Lula em manter o Brasil como centro das atenções, mesmo em um cenário regional marcado por divergências ideológicas.
Apesar da intensa polarização política, os números da última pesquisa Quest mostram Lula liderando tanto em cenários de primeiro quanto de segundo turno, independentemente de quem seja o adversário. Essa resiliência eleitoral confirma a percepção de que Lula é uma espécie de candidato Teflon — “nada gruda nele”.
Suas características pessoais, que combinam carisma, proximidade com o povo e habilidade política, explicam a popularidade que atravessa crises e ataques. Se a eleição fosse hoje, os dados indicam que Lula venceria em ambos os turnos, consolidando sua posição como figura central da política brasileira contemporânea. Em resumo, o terceiro governo Lula se destaca pela combinação de avanços econômicos, fortalecimento diplomático e resiliência política, projetando o Brasil como protagonista no cenário internacional e garantindo estabilidade interna em meio à polarização.




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