Transparência
- José Maria Dias Pereira

- há 2 minutos
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Mal começou o tempo de propaganda “gratuita” nos meios de comunicação e não se fala em outra palavra: transparência. Cada candidato recorre à falta de transparência para demonstrar que essa é a razão pela qual o eleitor deve votar nele e, por outro lado, como motivo para não votar no seu adversário. Este artigo discute dois casos bastante explorados pela mídia de falta de transparência. O primeiro sobre a proposta do Presidente da FIFA de negociar os direitos comerciais da próxima Copa do Mundo de futebol (três países: Espanha-Marrocos-Portugal) com investidores privados.
A Associação das Ligas Europeias e confederações como a UEFA se uniram em forte oposição e ameaçaram boicotes e ações legais contra a FIFA após o avanço — e posterior recuo — do plano do presidente Gianni Infantino de negociar direitos comerciais da Copa do Mundo com investidores privados por meio do projeto Fifa Forward.
Diante da rejeição em massa e ameaças concretas de sanções e processos regulatórios Gianni Infantino acabou abandonando a proposta, classificando o desfecho como necessário para conter a divisão no esporte. O plano envolvia a criação de uma subsidiária comercial para administrar ativos e eventos da Copa do Mundo, vendendo uma fatia minoritária a fundos de investimento privados,
As Ligas Europeias apontaram que a simples retirada da medida não apaga os danos à imagem institucional e expõe um profundo desgaste na cultura interna de tomada de decisões da entidade. Movimentos de oposição continuam cobrando maior transparência e redimensionamento de poderes na cúpula que comanda o futebol mundial.
A falta de transparência e as cifras bilionárias geridas pela FIFA tem como comparação, por outro motivo obviamente, a tentativa frustrada dos procuradores do Ministério Público (MP) de criar uma Fundação privada, usando os recursos dos acordos entre o MP e firmas envolvidas nos acordos de delação premiada na fatídica “Operação Lava Jato”, cujo Juiz inclusive foi declarado “parcial” pelo Supremo.
Por acaso, recentemente, o assunto – proposta de criar uma fundação administrada pela chamada “República de Curitiba”, sem prestar contas a ninguém – voltou à tona. Assim chamada de “Fundação Deltan Dallagnol)” pelos críticos, a tentativa foi “bombardeada” nos meios jurídicos e não se ouviu falar mais nela até que saísse a sentença do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), afastando a ex-juíza substituta do processo (Daniela Hardt) por dois anos de suspensão ininterruptos, com vencimentos proporcionais.
A punição ocorreu em agosto de 2026 devido à homologação irregular, em 2019, de um acordo da Operação Lava Jato com a Petrobras que previa a criação de um fundo privado de R$ 2,5 bilhões gerido por procuradores. Aliás, os exageros cometidos por alguns membros do Poder Judiciário, como venda de sentenças e tráfico de influências, têm provocado um clamor da sociedade civil para corrigir as regalias de juízes e promotores. Exemplo foi a recente decisão do CNJ de afastar aqueles acusados de prevaricação, porém sem receber os salários, como vem sendo a praxe.





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