Golpe, uma construção inacabada
- José Maria Dias Pereira

- há 1 dia
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Após manobras da ala de extrema direita do Senado, do “Centrão” e do próprio presidente do Senado, David Alcolumbre, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias por 8 votos, resultado já antecipado por Alcolumbre. Uma votação que deveria ser apenas uma formalidade transformou-se numa antecipação das eleições de outubro de 2026, com a oposição procurando atingir Lula sem se importar em ler o currículo de Messias e de ser um fato inédito na história republicana. Segundo consulta às fontes, como dizem os jornalistas, caso como esse só ocorreu uma vez, há 132 anos atrás, logo no início da República, no governo de Floriano Peixoto – esse sim, apesar de dar o seu nome à cidade de Florianópolis, parece ter sido alguém de difícil relacionamento.
O segundo momento – este ainda mais explícito do golpe de 2023 inacabado – foi a aprovação da chamada dosimetria, um artifício usado para, a pretexto de corrigir injustiças da condenação muito elevada dos golpistas de 2023 (atualmente,170 pessoas que ainda estão presas), na prática o maior beneficiado é o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (atualmente em prisão domiciliar) que recebeu um salvo conduto para continuar conspirando contra o processo democrático.
Em resumo, coisas pequenas que foram usadas irresponsavelmente para ferir Lula, mas que atingiram as próprias instituições, como o Senado e o Supremo. O STF nunca foi tão desrespeitado como agora. Mais do que o Supremo, Jorge Messias, funcionário público de carreira, conduta ilibada, com Mestrado e Doutorado pela UNB. Seu ponto forte, imaginava o Planalto, era de que ele, sendo evangélico, conseguiria votos suficientes até da oposição. Só que não! As próprias lideranças do governo se enganaram ao informar Lula do possível resultado desfavorável. Mais “bola nas costas do governo”.
No final de contas, Lula tirou algumas lições: primeira, não se deve misturar religião com política (os votos dos evangélicos não apareceram); segunda, os líderes do governo estavam iludidos (o que a maioria do Congresso negociava e eles não perceberam nada? Terceira, por que ele próprio, reconhecido por sua habilidade política achou que “emplacaria” o nome de Messias, um desconhecido? Será que ele está “se achando” por causa da sua aprovação entre os líderes mundiais? Um conselho final Sr. Presidente: melhor rebaixar o nível das expectativas. Por exemplo, não se engane: Donald Trump não é seu amigo.
José Maria Dias Pereira
Doutor em Economia
Professor aposentado




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